quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Quase nada a dizer


Olá! Tudo bem? Eu decidi fazer esse texto para que nós pudéssemos refletir juntos sobre privilégios. Primeiramente eu gostaria de te perguntar: o que você considera um privilégio? Lembrando que para esse tipo de perguntas não há respostas certas ou erradas, mas somente respostas diferentes. E aí, conseguiu pensar? Espero que sim! Vou dizer para vocês porque me considero um homem privilegiado. Quando novo eu era um menino quieto, introspectivo, e diferente. Era o oposto da grande maioria dos outros garotos da minha idade. Eles não trocariam o futebol no intervalo por nada, mas eu era medroso e não tinha habilidade alguma. Eu costumava pensar que atrapalharia o meu time, e tinha medo de me machucar, e por isso nunca participava. Então eu me ocupava com outras coisas. Essas outras coisas eram menos importantes para o resto, mas para mim representavam tudo. Começo, meio e fim. Trocar figurinhas, completar álbuns, bater bafo, e jogar Beyblades, Pokemon, Yu-gi-Oh, etc. Eu costumava me perder nas minhas próprias fantasias sonhando em poder virar um Super Saiyajin e salvar o mundo! Ajudar as pessoas! Desejei ir para o Digimundo tantas vezes que não foi tão surpreendente para os meus pais quando deixei um ovo de páscoa na geladeira por mais de três meses com a ordem de não tocá-lo, pois, afinal, digimons aparecem de maneiras estranhas e o meu poderia estar ali. Eu era um garoto muito medroso, mas eu me lembro de naquela época nunca parar de sorrir. Eu não tinha nada e tinha tudo, sabe? E mesmo imperfeito eu tinha muitos amigos. João Lucas, os meninos da tia Arlete (especialmente o Fernando que foi o meu primeiro melhor amigo), Daniel Bacha, Victor Hugo, Carlos Alberto, Gabriel Viégas, Anísio, Guilherme, e Jorge (que era um dos mais parecidos comigo). Todos os citados são eternos patos no Nintendo 64. Você deve estar se perguntando sobre as meninas! Não, eu não falava com as meninas. Achava a maioria delas bonitas demais e quando alguma falava comigo, eu corava e ficava muito envergonhado. Tentava conversar, mas era um grande desafio! Todas as pessoas falavam que eu tinha um sorriso incrível! Era um privilégio ter uma família imperfeita que me amava tanto quanto eu os amava. Cada lembrança que cada pessoa possui da minha infância é muito mais doce e agradável do que eu me lembro, e isso me alegra, pois sem fazer esforço eu já trazia felicidade para as pessoas. Minha avó conta de quando eu congelei a calça jeans dela, de que eu fazia paraquedas para os meus bonecos (que eu sempre chamei de hominho) e usava os varais para fazê-los descer. Eu sinceramente não me lembro da vez da calça jeans, mas acho essa história divertida.


Eu sempre agradeço por me lembrar com carinho de todas as partes da minha vida. Amo muito meus irmãos e me considero sortudo em tê-los. Eu também tenho excelentes pais, sabe? Não vou dizer que são os melhores do mundo, mas eu nunca desejaria outros. Eles inclusive me deixaram ter vários animais de estimação. Primeiramente tive dois cachorros (O Rock II e a Brenda), e depois tive dois coelhos (Jack e Mel), e depois duas tartarugas (infelizmente não foram nomeadas), e um peixe (muito novo para lembrar o nome que eu dei). Também tive um galo que ganhei numa viagem com o outro Daniel da turma e com o Carlos Alberto na fazenda da família do Carlos. O nome que dei pra ele foi Gohan e ficou dos dias de pinto até galo jovem na minha casa. Não pude presenciar a maturação completa do meu amigo. Tive um hamster branco que morreu antes que pudéssemos nomeá-lo (um acidente envolvendo uma bola de futebol o levou cedo), uma criação de formigas, e um porquinho-da-índia irado que até desceu uma ladeira num trator de brinquedo, e que mesmo sendo fedido era um bom menino. Morreu cedo e se na época eu soubesse que morriam de solidão, eu teria comprado dois. Aí tive mais um coelho (Nimbus) e esse coelho era muito legal. Os outros eram sedentários e esse cavava, pulava, e corria. Eu amava muito esse coelho! Aí tivemos a Clara (uma cadela) que vai ser um eterno amor e xodó de todo mundo. Só de lembrar-me fico com vontade de chorar de tão boazinha que era. Quando eu beijava a Gi na frente dela, ela emitia um grunhido de desaprovação e ficava inquieta. Parecia estar com ciúmes apesar de gostar da Gi! Aí por um período muito curto tivemos a Sophia, que não pôde ficar em casa porque era fila e ficaria maior que a casa, e por fim hoje temos o Link! Um dia vou escrever um texto enorme só para falar do Link! Ele é demais! Ele me segue o dia todo, brinca comigo, dorme no meu quarto, e sempre tenta me beijar. Ele não gosta quando as visitas chegam (ele só se acalma quando a pessoa senta) e detesta quando vão embora. Ele também só não implica com as empregadas que trabalham lá em casa quando elas estão com roupa de trabalho, e ao ouvir a palavra passear fica enlouquecido chorando até que alguém o leve para uma volta. 


Ufa! Parei de falar dos meus animais, mas acredite você ou não está tudo bastante resumido. Isso foi para dizer que eu tive o privilégio de ter grandes animais de estimação que me ensinaram mais coisas do que muita gente que passou por minha vida. Eu também tive o privilégio de ter pais dóceis e liberais, mas rígidos quanto a nossa conduta. Eles ensinaram-me a respeitar os outros sempre, a ter paciência com os mais velhos, esperar a sua vez na fila e devolver o troco correto (já paguei um salgado de 2 reais com uma nota de 10 e ganhei 20 reais de troco, que imediatamente devolvi), compaixão com o próximo, a ter firmeza nas atitudes e a sempre ter humildade. Sempre me diziam que eu já era um campeão e um vencedor e sempre se orgulharam de mim. Eu e meus irmãos tomamos umas chineladas e uns tapas na bunda, mas hoje sou grato por isso. A educação foi perfeita e isso reflete diretamente no homem que eu me tornei. Aproximadamente aos meus doze anos de idade, no início da puberdade, eu mudei. E é estranho não saber muito como aconteceu, mas de repente eu já era outro Daniel. A criança super sorridente, mas extremamente medrosa e introspectiva já não era mais tão sorridente, mas agora não vivia sem os amigos. Eu continuava fugindo de brigas, mas já não tinha medo delas. Eu me apaixonei pelo Palmeiras vendo o amor real que meu irmão Caio sentia pelo time e aos poucos o futebol se tornou um amor para o resto da vida até pra mim. Foi um privilégio mudar. Foi um privilégio passar a ter coragem. Foi um privilégio crescer e aos poucos me entender tão profundamente como hoje me entendo. Aí me apaixonei também por WWE (sim, eu sei que as lutas são coreografadas, mas aí é que mora a beleza do espetáculo). Foi um privilégio ter o Carlos e o Marcus sempre por perto nessa época (mais tarde um pouco o ET também; uma amizade que surgiu quando eu o ensinei a jogar Ragnarok) e poder ser o irmão mais velho legal dos amigos do meu irmão caçula (caraca, como os meninos me idolatravam). Também foi uma tremenda sorte uma menina ter se interessado por mim e ter me deixado saber disso! Caso contrário eu poderia ser bv até hoje! Hahahahahahahahahahahah... Thank you!

Aí fui pra Mace e passei três meses sem falar com ninguém (não por opção). Senti na pele o quanto era doloroso ser um fantasma. Eu queria não ser invisível, mas eu nunca fui bom em iniciar papos e começar novas amizades (por essas e outras fui acusado de ser metido). Nesse período, só um menino veio falar comigo. Veio avisar que uma amiga dele queria ficar comigo. Eu só tinha beijado uma menina e tinha medo de fazer feio e hesitei. Acabei dispensando a menina sem querer, mas mesmo assim a conversa me fez bem. Aprendi que mesmo sendo um fantasma alguém poderia me ver e isso encheu meu coração de esperança. Esperança que se confirmou quando numa aula de educação física o Jeann me acolheu e eu finalmente tinha um grupo. Duni, Jeann, Nicolas, Thiago José, Irineu! Um grupo estranho pra cacete (eu era quase totalmente comum), mas era o meu grupo e eu me sentia bem com eles. Já não era mais um fardo ter que ir ao colégio (e mesmo assim eu faltava de vez em quando porque minha casa sempre vai ser mil vezes mais legal que um colégio). Talvez nenhum deles saiba, mas eu estava beirando o abismo quando me acolheram. O ano seguinte foi mais fácil e fiquei amigo do Mario Pedro (um sujeito simples e tranquilo; foi ele o alvo da minha primeira bola de papel higiênico molhado e grandes batalhas se iniciaram no banheiro da Mace após o meu ataque; e acreditem vocês ou não vi duas mulheres arrancando os cabelos e roupas brigando por ele na escola), do Murilo (ou Liu), do Álvaro, do Leandro, do João e do Nunes. Todos bons amigos que eu respeito muito até hoje independente de qualidades ou defeitos. Foi o ano que fiz academia até ficar bombadinho e muitas mulheres passaram a me olhar diferente (comprovando a minha teoria de que 90% ou mais das mulheres novas observam primeiramente o porte físico do homem). O outro ano que veio foi um dos melhores da minha vida. 2009! Fiquei amigo do Alex Sander (ainda levaremos os meninos para andar de bicicleta), e mantive minha amizade com o João e o Nunes. Conheci e fiquei também amigo do Yuri (apesar de levar um amigo estranho com intenções estranhas no bar uma vez, querendo provar sua masculinidade mais ou menos tentando dar ou receber alguma coisa em troca do carro dele), do Everlon, do Ricardo, do Ronan e do Edilson! Fiquei amigo também do Henrique, do Lucas, do Lucas Paulo, do Renan, do Cauê, do Gordo, do Godoy, do Kazuo e do Luiz Henrique! Sinto falta deles, mas tenho boas lembranças a qual me apegar e estou feliz de vê-los felizes. Quanto a minha turma escolar de 2009 sinto saudades de todos, sem exceção. Apoiavam até os meus discursos (eu era o líder da sala e era sempre aplaudido quando discursava). Fiz minhas primeiras amigas também! Allana, Agne, Marcella, Jéssica, Thamyres, Ana Luísa, Lay, Letícia e Isa. Acho que eram as que eu mais considerava.
 

Foi um ano simbólico pra mim. O João uma vez me disse que era porque foi um ano que eu fui protagonista. Eu pensei bastante sobre isso, e conclui que ele estava enganado. Foi especial porque eu tive muitas experiências e estive sempre cercado de bons amigos e muita gente que gostava de mim. Foi especial porque até um campeonato de vídeo game era algo engraçado e divertido! Foi engraçado porque enquanto eu tinha amigos, eles me tinham também. Por isso 2009 é diferente. Eu me reergui depois de um final 2008 que não acabou bem. Ri muito, fiquei bêbado muitas vezes, abracei meus amigos, minha família, tive meus pequenos romances, fiquei livre das espinhas (fiquei bonito, rsrs). Viajei, me iludi, me ferrei, me diverti, zoei, viajei de novo. Matei muita aula! Acho que nenhum professor me apontaria como o organizador das fanfarras, mas era eu geralmente. Passar álcool em gel na maçaneta da porta (os professores não conseguiam entrar), urinar no pote do sabonete líquido (essa foi invenção minha e eu só revelei para meus melhores amigos), descer a escada de emergência, pular o muro, ligar na escola fingindo ser meu próprio pai ou o pai dos meus colegas (essa eu também criei e usei muito). Eu dizia para o coordenador ou coordenadora:
–
Sim. Ele tem médico. Fale para ele ficar na Rua 26 de Agosto que eu estou passando buscá-lo em dez minutos. E menos de cinco minutos depois o inspetor aparecia e dizia:
– Daniel Possari com material. Queria aproveitar para pedir desculpas públicas para uma colega, que dispensei da aula 7:30h e ela ficou até 12:20h esperando pai dela que na verdade nunca disse que ia buscá-la (os guris me convenceram, perdão). Ainda na metade do mesmo ano, comecei a fazer umas rimas. Aí começaram e me chamar de poeta e eu acreditei nisso, mas não completamente. Fato é que eu fazia umas rimas razoáveis (nunca me agradaram tanto), mas aí descobri que eu conseguia escrever, e já me aproveitando da boa fama que o blog trazia e com um incentivo mais resolvi me arriscar aqui. As primeiras postagens deste mesmo blog costumavam falar sobre a minha rotina. Quase como um diário. E aí eu fui mudando e mudando. Vieram as rimas e continuei aprimorando a minha escrita, mas fui perdendo um pouco da essência das antigas postagens. Comecei a falar mais das coisas absurdas que eu presenciava e vivia do que de amor, ou de rimas, ou de qualquer outra coisa. É um privilégio reler o blog do começo até aqui e ver quem eu me tornei. Eu tenho muito orgulho! 



Em 2010 conheci o Tannus, o Fernando, o Pedro (Seu Cuca), o Antônio, o Leozitor, o Fausto (e muitas outras pessoas não tão importantes pra mim). Fiquei mais amigo do Kyoshigue, que já conhecia da Mace. Ao menos esses eram os meus amigos e eram os caras que eu queria por perto. Na metade do mesmo ano me apaixonei mais uma vez, mas eu não poderia imaginar que ia ser a primeira vez que eu ia amar alguém. Se antes eu achava que tinha sentido algo próximo disso hoje eu sei que não. Estou com a Gi desde 2010 e apesar dos pesares, das balançadas, ainda estamos equilibrados na mesma linha e de mãos dadas. Eu não me imagino de mãos dadas com outra mulher. Foi em 2010 também que comecei a ter um problema de saúde do qual até hoje não consegui me livrar completamente, mas graças a Deus está diminuindo e não é nada grave. Aprendi muitas coisas ao longo dos últimos cinco anos e uma delas é que há um preço por se afastar independentemente de seus motivos. Eu perdi muitos amigos, mas em tempos de necessidade um homem precisa saber ser homem e escolher suas lutas. Eu esperava poder vê-los, e abraçá-los, e tomar uma cerveja quando o incomensurável furacão que surgiu na minha vida passasse. Quando ele se foi não havia quase mais ninguém aqui. Fortaleci-me e passei a estudar o comportamento das pessoas e a não guardar mágoa. Sou mais culpado do que meus amigos pelo afastamento e admito isso. Comecei a me empenhar em entender as pessoas e vi muita coisa diferente. Vi rapazes traindo suas namoradas (que juravam ser o amor de suas vidas). Vi maridos traindo esposas (que tinham filhos pequenos). Vi meninas indescritivelmente lindas ficando com caras horríveis (de aparência e principalmente de conduta) ou que estavam pegando o ex ficante delas (Kkkkkk). Vi amigos se tornarem inimigos, vi pais enganarem os filhos, vi o amor nascer e vi o amor morrer. Vi uma menina estar super afim de mim e me odiar do dia para a noite após ouvir o que os amigos dela tinham a dizer a meu respeito. Senti a maior parte dessas coisas na pele assim como pela primeira vez na vida senti ódio puro por ter sido enganado por mais de uma pessoa importante pra mim e com coisas gravíssimas. Aprendi a ver o coração das pessoas e hoje sou bom nisso. Aprendi a entender as motivações dos outros embora possa discordar da maneira como agem. Mentiras, traições, e omissões nunca estarão no caminho que escolhi. Também tenho de agradecer aos outros amigos que fiz de 2011 pra cá. Mateus, Allana, Bolbi, Vic, Lizandra, e Paula Nélly são os mais chegados, mas também tem a Sarah, o Moza, a Bianca, o Fábio, a Ana, a Ani, a Kath, a Taís (que me ajuda muito), o Lucas com quem trabalhei um mês, o outro Lucas e o pessoal da PGM que eu amo e os mirins (Hygor, Keoma, Kennedy, Igor, e Valmir e os tempos de carteado em segredo). Um abraço para o Gui que apesar de bem mais novo é também um grande amigo. Outra coisa que não contei é que eu também escrevi um livro e decidi que nunca ia publicá-lo. A ideia era boa, mas definitivamente não estava pronta para o mundo. Hoje estou terminando outro e acho que em breve terei uma boa história para compartilhar com todos! Eu me reinventei várias vezes. Sou um homem simples, mas gosto de coisas excepcionais. Preciso de pouco para ser feliz, mas não sou feliz sem motivo. Conservei-me como sou e a quem quiser saber, não tenho vergonhas de lhes contar tudo a meu respeito. Errei assim como todos erram ao longo da estrada, mas meus erros foram essenciais para o meu aprendizado e crescimento e raras vezes os repeti. Nunca traí amigos, família ou namoradas, e sempre defendi quem era importante pra mim. Aprendi a amar as pessoas, a perdoá-las, e principalmente a aceitar como cada um é singular. Eu passei por metido muitas vezes na minha vida por não conseguir falar em público. Se eu sair com você duas vezes provavelmente me achará quieto e reservado, mas se sair comigo cinco eu duvido que não sejamos amigos. E eu sou assim, sabe? E vou tentando ser melhor a cada dia, pois se você me perguntar o que eu considero o meu maior privilégio, a minha resposta é simples.

Estar aqui! Ter nascido e viver neste planeta é o meu maior privilégio. Viver 22 anos (e tomara que muito mais) é meu maior privilégio! Trazer alegria, coragem, e esperança para os outros é um privilégio! Dizer a verdade, ser alguém de caráter, melhorar o mundo! Isso tudo é muito mais do que eu poderia pedir! Estou aqui e agradeço ao Criador seja ele quem for por isso! A única maneira que eu conheço de honrar meus privilégios é sendo a melhor pessoa que eu posso ser e trazer ao mundo mais amor, mais esperança, e mais felicidade. E eu juro por tudo que existe de importante pra mim que eu não vou parar até conseguir. Não vou me acovardar! Vou me manter honesto, digno e verdadeiro. Não vou aceitar as ilusões. Quero ver, e ouvir, e sentir o que é real e sempre vou querer mesmo quando isso for doloroso. Sinto orgulho de quem sou, mas ainda estou longe de ser o homem que pretendo ser. Só desejo ter tempo para realizar todos os meus sonhos e conquistar meus objetivos!


Bom, é isso. Agora que terminei o post, eu percebi. Eu não tinha quase nada a dizer e mesmo assim disse. Eu me abro muito por aqui e falo sempre muito da minha vida e eu tenho vontade de saber quem acompanha as minhas postagens e minhas expectativas e etc. Vou fazer algumas perguntas e se você que me lê quiser responder, vou deixar o meu e-mail no final da postagem. Pode responder do seu e-mail ou de outro se não quiser se identificar, nós podemos conversar mesmo assim. Eu gosto da ideia de interagir com vocês. Tenham um bom final de semana! :)

1. Qual é a sua cor favorita?
2.
Qual é o seu livro favorito?
3. Qual foi a primeira coisa pela qual se apaixonou de verdade?
4.
Se você pudesse ter um super poder qual seria?
5.
Quais são suas maiores expectativas?
6. Qual é o seu filme favorito?
7.
Qual é a sua banda favorita?
8. Qual é o seu maior sonho? 

Contato: daniel_possari_10@hotmail.com

"How many roads must a man walk down 
 Before they call him a man? 
 How many seas must a white dove sail 
 Before she can sleep in the sand?"






 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A menina que salvou meu dia



Antes de ontem fui premiado com uma daquelas grandes peripécias que a vida parece aplicar. Algo injusto acontece e você só se pergunta qual poderia ser a razão de as coisas desenrolarem desse jeito. Acho que posso dizer que foi uma obra do destino, ou uma intervenção direta das forças regentes deste Universo, e a consequência disso deve ser grande. Você frequenta a faculdade por seis meses consecutivos, e por mais que aquela matéria (ou qualquer outra) não te chame a atenção ou desperte uma vontade louca de estudar e aprender, você vai as aulas porque você precisa ir. Você faz as atividades (ou copia, porque o professor não se importa em receber vinte atividades iguais), você está sempre lá, mas está sempre quieto. Não basta. Você precisa chamar a atenção para estar lá ou alguém ainda pode dizer que nunca te viu. Você supera as adversidades, supera os problemas de saúde, e supera principalmente o desânimo e a vontade de não estar lá. Direito não é a minha praia, amigo, mas cheguei longe, sabe? Muito longe. Se tudo der errado no futuro, com o meu diploma de Direito ainda posso ter um emprego bom e cuidar da minha futura esposa e dos meus futuros filhos. Eles ainda não existem, mas já são motivo de preocupação. Eu percebi muito tarde que não gostava deste curso, e ao final do oitavo semestre eu não penso mais em desistir. O Direito não me instiga, e não me atrai, e não me empolga, entende? E eu sou desses caras que precisa de paixão pra viver. Amor! O meu combustível não é dinheiro! O meu combustível é amor! Quanto mais amor eu puder trazer ao mundo mais realizado eu serei. Este mundo precisa de ajuda, e precisa de amor, e somente fechando os olhos para a realidade para não enxergar que este mundo que vivemos é um mundo de contrastes. 


Um dia você acorda bem e de repente alguém te passa uma rasteira. Os dias nublados que você tanto ama agora se voltaram contra você. Eles fizeram uma parceria para esconder o sol pelos próximos dois dias e você não tem o que fazer para mudar isso. Parece uma grande conspiração, ou um teste que nunca acaba, para ver se você vai sucumbir de vez ou levantar mais forte. Eu falhei muito sozinho na minha vida, e quando isso acontecia, eu caía de joelhos. O fracasso é uma das piores sensações que existem. Quase nada é pior do que saber que o que separou você do ouro foi você mesmo. E eu perdi muitas medalhas antes. Desta vez não estava comprometido em vencer, mas em ultrapassar a linha de chegada. E ultrapassei, mas depois que eu já havia encerrado a prova e estava tudo bem, alguém decidiu dizer que em algum momento do percurso eu cometi uma falta grave e que vou ter que começar tudo de novo e em outro dia. Eu perdi o chão. É difícil aceitar o próprio fracasso, mas é quase impossível compreender um fracasso que lhe foi atribuído quando você não fracassou. Você tenta dormir, mas o sofrimento o persegue e tira seu sono. Você tenta comer, mas o estômago não está totalmente recuperado da última crise. Mesmo assim você tenta algo. Você quer que as coisas façam um pouco mais de sentido. Você não quer que o Universo ou Deus lhe ofereça um benefício grande como recompensa. Tudo o que você quer é corrigir aquela grande injustiça. Tudo o que você quer é o que é certo, mas o mundo pode ser muito cruel algumas vezes. Pode sugar toda sua esperança de uma vez, mas nem tudo é injustiça e caos. O mundo é de contrastes, e algumas vezes por isso sou grato.


Entrei no elevador hoje cedo para tentar resolver essa situação que me tirou do sério.O elevador parou no térreo antes da garagem, e primeiro entrou uma mulher de sessenta anos de idade, e depois um homem da mesma idade empurrando um carrinho de bebê com uma menininha dentro. Ela era muito linda! Um absurdo de fofa! Mais bonita do que os bebês de propaganda de fraldas. Eu disse "Bom dia", mas o casal não me correspondeu. Talvez eu tenha falado baixo, ou a expressão enfezada deles significava que estavam tendo uma manhã ruim, mas aquela menina estava alheia a qualquer sentimento negativo. Ela me olhou diretamente com seus olhos azuis, e ficou esperando por algum sinal meu. Pareceu esperar que eu dissesse bom dia para ela também, e quando eu decidi que era sensato cumprimentá-la, falei "Oi", sorri, e agitei uma de minhas mãos no ar acenando para ela. Aquilo não foi nada demais, mas ela adorou. Ela me sorriu com uma intensidade tão incrível, e agitou os pequenos bracinhos no ar de maneira desengonçada como se comemorasse meus gestos. Eu continuei fazendo o que qualquer pessoa sensata faria: continuei conversando com ela. Eu ficava sério somente para sorrir outra vez em seguida, e caramba, como a garotinha gostou do meu sorriso. Cada vez que eu sorria, ela sorria de volta. O nosso tempo no elevador foi curto, menos de um minuto, e quando chegamos ao subsolo ela ainda estava sorrindo. Dei um tchauzinho para ela, acenando, e sorri mais uma vez. Ela comemorou novamente. Saiu tentando retribuir meu aceno com movimentos engraçados dos pequenos bracinhos, e sorrindo. Peguei meu carro e fui resolver meu destino com uma única certeza: nada de ruim que pudesse acontecer tiraria meu sorriso. Obrigado, menina. O seu sorriso bateu de frente com a minha semana ruim. Você salvou o meu dia! 


Um bom final de semana para todos vocês! 

"Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão". Confúcio.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Meu Castelo Animado

Eu estava dormindo quando ouvi um ploft. Um barulho estranho que me fez levantar da cama brevemente. Não era uma batida de carro e nem nada que eu pudesse reconhecer. O meu sono sempre foi profundo, mas isso tem mudado de algum tempo pra cá. Sonhos e pesadelos acontecem o tempo todo. Dizem que tudo o que você sonha pode ser interpretado como um sinal. Não acredito muito nisso, pois determinada cor significa morte, e morte significa vida, e vida significa alguma outra coisa. Se isso tudo se concretizasse em um plano perfeito os sonhos seriam oficialmente a maneira mais confusa de oferecer uma mensagem a alguém. Enfim, eu levantei da minha cama. Por um reflexo simples fui até a janela do meu banheiro, pois fiquei com receio de sair na sacada e pisar em algum cocô do Link. Se isso acontecesse eu ficaria estressado em plena madrugada e seria o adeus definitivo ao meu descanso noturno. Na rua aparentemente estava tudo normal. Um vento gelado que parecia querer anunciar alguma coisa aos meus ouvidos sempre atentos parou na janela fechada. O vento não me atingiu, mas mesmo assim eu ouvi o seu sussurro desesperado. Então eu só segui pelo apartamento. Agora que tenho vinte e dois anos já não sou mais um menino. Agora é a minha obrigação ir verificar se meus irmãos e minha mãe dormem bem, e se está tudo tranquilo. Estava. Não quer dizer que eu tenha deixado de ter medo, mas agora eu já posso enfrentá-lo. Você percebe? Nós mal piscamos nesses últimos anos e veja quanta coisa aconteceu. Veja como o tempo passou... Do que você era antigamente o que foi que sobrou?


Eu conservei muito do que eu era, mas hoje sei admitir que a mudança é a lei da vida. O mestre Victor Hugo disse para mudar suas flores, mas manter suas raízes. Eu aprendi a fazer isso. Algumas vezes eu ainda me prendo a sorrisos passados e a lembranças singularmente valiosas que não deveriam significar tanto. Pode soar patético, não é? Mas você sabe o que eu quero dizer. Os anos acabaram com seus planos, e eles deixaram de ser parte do seu futuro. Você sabe o quanto doeu e o quanto ainda dói. E sabe que é muito tarde para salvar algumas coisas. E há algo seriamente errado conosco, pois nunca pensamos em deixar essa cidade. Mesmo sabendo mais do que o resto do mundo o que é de verdade. Tudo está tão insosso agora. A felicidade é uma promessa que demora, e o que pode ser feito para acelerá-la? Eu não sei essa resposta. Eu não tenho metade das soluções das perguntas que eu preciso que sejam respondidas, mas eu continuo me perguntando e tentando me responder. São mesmo as perguntas que movem o mundo. Sorte a minha é ter feito sempre milhares de perguntas. Não precisei de algumas coisas que os outros precisam para enxergar o que é verdadeiro. Eu ouvi aquele ploft na minha mente outra vez, mas desta vez era só uma lembrança. Quando eu entendi o que aquele barulho significava eu fiquei assustado. Depois daquilo eu não poderia mais ficar sem fazer nada. Eu percebi que tenho que fazer alguma coisa o quanto antes. Você que se acha muito ruim pode não ter noção do que significa para os outros. Seja sempre quem você é e tenha força para se manter em pé. Não precisamos escutar aquele barulho nunca mais.


E que me perdoem os mentirosos, mas a verdade nunca foi e nunca vai ser uma questão de ponto de vista. Ser absolutamente sincero é complicado. Quase ninguém gosta da verdade. Cada um acredita no que quer acreditar, e assim, surge uma zona de conforto praticamente impenetrável. Uma zona sobretudo perigosa, que mistura passado, presente e futuro, que abrange ilusões, arrogância, raiva e medo. Todos estão segurando pedras enquanto miram outros tetos de vidro. Mãos ágeis e olhares atentos. Todos imaginam se é prudente derrubar o outro antes que seja derrubado e mesmo os bons escutam ecoar no fundo de suas mentes "talvez sim". Não me orgulho de todas as coisas que já fiz na vida, mas eu não as escondo por mais embaraçosas que sejam. Quando a poeira desaparecer, você sabe que metade estará assistindo o Domingão do Faustão idolatrando as mesmas estrelas que acompanham de segunda a quinta (sexta e sábado têm balada), e a outra metade estará fumando maconha e discutindo novas técnicas para esconder o cheiro da fumaça, ou, discutindo política, ou, tocando velhas canções no violão e se gabando por serem mentes abertas. Canções que os façam parecer diferentes e únicos, mesmo que eles saibam que não são. O resto que não estiver fazendo isso dificilmente estará fazendo algo muito mais útil, mas, mesmo assim no final do dia somos sempre cheios de opiniões agressivas e nos consagramos como donos de algo que não somos. Experiência não torna ninguém absoluto, e isolamento também não. Aliás tentar ser absoluto é uma perda de tempo. Trata-se de saber manejar o seu próprio castelo. Não. Nem todo castelo é uma construção estática. Eu estou subindo novos muros para me proteger de tudo aquilo que é ruim, mas estou construindo mais portas e janelas. Muito mais. Eu preciso deixar mais pessoas entrar e conhecer o mundo maravilhoso que existe aqui dentro. Tive uma semana ruim, e talvez não seja interessante entrar agora, mas quero avisar-lhes que a partir de hoje a porta sempre estará aberta. O meu castelo é uma extensão do meu ser. Aqui vocês encontrarão as minhas opiniões, os meus sonhos, os meus planos, os meus velhos poemas, algumas páginas antigas de diário, textos sem nexo algum, rimas antigas, e tudo mais que possui e integra de maneira profunda e sincera o meu coração. Eu não tenho vergonha de ser quem eu sou e gostar das coisas que eu gosto, e por isso o meu castelo não será derrubado com pedradas. Sou de verdade. O meu teto não é de vidro e o meu castelo não é de cartas. Dias tristes virão e irão embora assim como os felizes, mas eu estou tirando o melhor de cada dia para me tornar um homem melhor. Por isso eu creio que um dia o meu castelo possa inspirar futuros castelos tão mais incríveis que o meu. Vou seguir meus sonhos e objetivos até me sentir esgotado e só pararei quando puder enxergar os outros castelos. Isso tudo que está aqui foi construído aos poucos, mas está ficando realmente muito bonito. Esse sou eu. Sejam bem-vindos.


O plano de fundo é do filme O Castelo Animado produzido pelos estúdios Ghibli e baseado na obra da escritora inglesa Diana Wynne Jones. Na minha modesta opinião é o segundo melhor filme dos estúdios Ghibli (perde para A Viagem de Chihiro) e o livro é muito interessante também. A ideia do castelo que se move realmente mexeu comigo. Vejo o castelo como a minha mente que nunca para de funcionar e está sempre em atividade sonhando, imaginando, ou realizando. Um dia espero contagiar o mundo com o melhor que existe em mim. Eu sei que sou capaz de fazer isso. Torçam por mim! Estarei torcendo por vocês! Acompanhem o meu castelo! Vocês presenciarão grandes coisas! 



Bom final de semana para todos vocês! Acompanhem minhas evoluções! Quem viver verá grandes coisas! Tudo de bom para vocês! Um beijo e um abraço! Adiós!


"O auto-respeito é a raiz da disciplina. A noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo." Abraham Lincoln.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Sem lado certo

Gostaria de começar lamentando pelo ato da torcedora que foi imoral e muito infeliz ao chamar o goleiro Aranha de macaco. Na opinião deste blogueiro, independente do calor da situação ela acaba revelando algo dela mesma nesta atitude. Torço sinceramente para que não seja algo de sua essência, e sim algo referente exclusivamente ao momento. Não me venham com desculpas esfarrapadas ou conversinha de advogado para defendê-la. O que ela fez é algo grave sim. Se não fosse grave não seria tipificado como crime. Injúria racial. É algo diferente, e pra mim uma aberração, ou algum destes que está lendo este texto costuma chamar uma pessoa negra de macaco toda vez que sente raiva ou o faz somente por que vê um grupo fazendo e segue a tendência? Quem segue as tendências ou é contrário a elas somente para tentar demonstrar o quanto é inteligente é no mínimo bastante infantil e imaturo. De opiniões óbvias todos nós estamos cansados, não é? Afinal, o que é que você pensa? Eu penso que como chefe dela iria demiti-la. Eu penso que como torcedor do Grêmio iria repreendê-la. Eu penso que como parte da sociedade faria minha parte não deixando de me abismar com o que ela fez. Eu penso que como família dela iria protegê-la, mas penso principalmente que como ser humano ela merece uma segunda chance. Somos todos tão cheios de erros, não somos?

Se a garota é de fato racista ou não, nós que não convivemos com ela nunca saberemos e isso agora já não é o mais importante. Se ela errou? Inegável que errou (por isso parem de enaltecer outros erros para diminuir os erros dela, por favor). Errou assim como todos os outros gremistas presentes no estádio que chamaram o goleiro Aranha de macaco e inclusive imitaram o animal nas arquibancadas para ofendê-lo, mas ela não merece sozinha pagar por todo esse alvoroço, e muito menos ter sua casa incendiada em nome de justiça. Isso não é justiça. Isso é uma irresponsabilidade, uma idiotice, um absurdo. O cúmulo da mediocridade. Eu não admito que façam isso com a palavra justiça. Esses tais justiceiros de plantão também cometeram crimes, e devem pagar por suas atitudes impensadas assim como está previsto em lei. Eu não sou oito e nem oitenta. É difícil me colocar no lugar da menina, pois jamais faria o que ela fez, e ao mesmo tempo também é difícil me colocar no lugar do goleiro, pois não sou negro e nem sofri ou sofro das consequências do processo de escravatura do negro no Brasil e no mundo. Então se você consegue levantar da cadeira só para defender a menina que está sendo rotulada, xingada e humilhada, eu sugiro que você sente novamente. E se você que foi chamado de macaco, ou sofreu alguma injúria racial ou racismo, acha que a solução é incentivar a violência, queimar a casa dos outros, e fazer o que bem entende em nome da justiça, do seu povo ou da sua raça, eu sugiro que você sente outra vez. Há sempre dois lados da situação. Quem não enxerga, ignora algum ponto de vista, ou prioriza um a outro, está claramente escolhendo um lado, e qualquer um que escolha um lado está tendendo a ser tendencioso, mas como diria Vin Diesel em seu personagem Toretto no filme Velozes e Furiosos 5:                                                      


                                                              THIS IS BRAZIL!


E é uma lástima que nosso Brasil seja assim. Ninguém vai ser realmente punido. Nem a garota e seus “companheiros” de ofensas racistas, e nem esses grandes imbecis que tentaram incendiar a casa dela. Devemos ser uma das nações que tem a população com a memória mais curta do mundo e também um dos povos mais mal educados. Quando deveríamos acompanhar a situação da garota e dos outros que fizeram manifestações racistas exigindo punição, e também cobrar que a polícia ache quem incendiou a casa da menina no Rio Grande do Sul e faça pagar com o que também está previsto em lei, estamos todos tentando decidir qual é o lado certo, e quem merece mais dó ou piedade. Galera, por favor... Não tem lado certo nessa história. É um conto sem heróis. Dois erros nunca fizeram um acerto e por isso devemos parar de escolher lados e levantar bandeiras a favor do que é menos certo. Todos estão errados nessa história. Acho que agora é melhor apagarmos os nossos próprios incêndios, pois se vocês observarem com atenção existem outras coisas sendo incendiadas, e temo que os bombeiros jamais possam chegar aos locais destes incêndios.

Boa semana para vocês todos! Um abraço! :)

"A maior descoberta de minha geração é que o ser humano pode alterar a sua vida mudando a sua atitude mental". William James.
https://www.youtube.com/watch?v=sLThbvt5q7Q   <------- Link não interessante ao lado.